Quincas se tornou biblioteca

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Joaquim Francisco Nery, o popular "Quincas"

Maraú - Pela um unanimidade dos seus membros a Câmara Municipal de Maraú, aprovou, em sessão ordinária realizada no dia 26 de junho do corrente ano, o Projeto de Lei n 04/2009, originário do Poder Executivo, que cria a Biblioteca Municipal Quincas Nery. O prefeito Antonio Silva Santos (Pito)-PT- merece parabéns pela nobre iniciativa. A criação de uma biblioteca é de fundamental importância para o desenvolvimento de uma comunidade, principalmente na formação de uma juventude sadia e culta e por isso deverá contar com um bom acervo. Mas a biblioteca criada em Maraú, já nasce grandiosa, pois em sua própria denominação traz o nome e a memória daquele que foi um dos maiores acervos da historia do município.Joaquim Francisco Nery, o popular "Quincas", morreu com mais de 90 anos de idade, deixando saudades e um exemplo de bom viver e amor por esta terra. Ele foi por quase meio século funcionário público municipal e se destacava como uma espécie de filosofo local. Em relação à política costumava dizer: "quanto maior é o poder mais é o perigo e o abuso". Sempre de óculos, chapéu e bem vestido, o velho Quincas não dispensava uma cervejinha e garantia que mantinha dotes de Dom Juan. Foi músico da Filarmônica Lyra da Conceição onde se destacava na execução do trompete e da trompa. Modéstia à parte ele reconhecia seu próprio valor. Isso lhe tornou ainda mais querido por parte da comunidade maraúense. Leitor assíduo de livros, jornais e outras publicações, Quincas acumulou conhecimentos que lhe permitiram, à sua maneira, contribuir com a historiografia do município.

HISTÓRICO DE MARAÚ-BA




MARAÚ



HISTÓRICO - A origem do município foi uma aldeia de índios denominada “Mayrahú”, (cujo significado na língua indígena é: “Luz do Sol ao Amanhecer” descoberta em 1.705 pelos Frades Capuchinhos Italianos).

A tribo indígena existente, chamava-se “Mayra”. Não se sabe a época do seu desaparecimento e nem a que ramo pertencia.

Por ordem da Coroa, o bandeirante João Gonçalves da Costa, construiu uma estrada denominada “Estrada da Nação”. O movimento por essa estrada concorreu para o contrabando do “Quinto de Ouro”, o que deu origem à criação do Povoado dos Funis, local onde a estrada bifurcava em direção a Camamu e a Vila de Barra do Rio de Contas, hoje cidade de Itacaré.

Para dificultar o contrabando pela estrada, que passava no sertão da “Fazenda Ressaca”, foi edificada nesse local, a cidade de Vitória da Conquista.

Assim Mayrahú teve o seu “Registro de Impostos” forçado pelas necessidades de arrecadação do “Quinto da Coroa”.

O Distrito de Mayrahú foi criado em 1717, e a Capela construída pelos Frades (sendo benfeitor o Capitão-Mor José Ribeiro Torres), foi elevada à categoria de Freguesia, com o nome de “São Sebastião de Mayrahú”, pelo arcebispo Dom Sebastião Monteiro da Vide, no mesmo ano.

Em 1756, a relação das Povoações e Sítios da Freguesia de São Sebastião de Mayrahú foi feita pelo vigário Pedro do Espírito Santo. Diz que “a sede possuía 26 fogos e 1130 pessoas de comunhão”.

A freguesia foi elevada à categoria de Vila, por ordem do Governo Provisório que se seguiu ao de D. Antonio de Almeida Soares e Portugal, 3° Conde de Avintes, em 17 de junho de 1761, sendo instalada pelo Ouvidor Geral da Bahia, Dr. Luiz Freire Deveras há 23 de julho do mesmo ano. Nessa mesma data, foi criada a Vila de Mayrahú.
Nos anos de 1860 a 1864, o Reino Unido da Inglaterra, ganhou uma concorrência para a instalação de uma usina de destilação de querosene, extraído da turfa a partir da náfta, e também, para a extração do xisto betuminoso em Maraú. A empresa foi instalada às margens do Rio Maraú.

A versão popular é de que a usina chamava-se “Jonh Grant”, mais o roceiro, encontrando dificuldades com a pronúncia, abrasileirou para “João Branco”.

Instalada a usina de João Branco, com todos os requisitos de uma grande refinaria, custou à Coroa Inglesa 600 mil libras esterlinas. A mesma, empregou cerca de 500 operários, possuía uma estrada de ferro interna, por onde rodavam duas locomotivas. Dizem que uma delas é a locomotiva n° 12, que fica em frente ao DETRAN, em Ilhéus. O Ilhéus Hotel, segundo dizem, foi construído com tijolos refratários das cinco chaminés da fábrica de João Branco.

Na referida usina, onde era destilado o querosene, fabricavam-se velas de espermacete, sabão, ácido sulfúrico e papel encerado para acondicionar alimentos e preparavam-se para a fabricação de celulose, no grande Parque Industrial de Maraú.

As atividades da Companhia Internacional de Maraú, foram paralisadas. Dizem que a usina deixou de funcionar, devido a uma greve do seu pessoal, tendo como conseqüência, uma sucessão de crimes. A agitação atingiu tamanhas proporções, que “Mister Grant”, disparou um tiro em um operário, matando-o. Foi julgado por isso, mas mesmo absolvido, preferiu retirar-se da Bahia, fechando a Fábrica.

Diz o escritor Maurício Vaitsman, no seu livro “O Petróleo no Império e na República”, que a verdade é outra. O fracasso foi de ordem “política e social”.

Hoje, na localidade ainda chamada JOÃO BRANCO, encontram-se as ruínas da fábrica e os trilhos da ferrovia.

Por um paradoxo do destino, perto do local onde fora o grande Parque Industrial, foi descoberto um depósito de gêsso, considerado o maior do mundo, pelo “trust” inglês do cimento Portland. Hoje, tal depósito, pertence ao grupo do cimento Mauá.

Pelo Decreto Lei n° 10.724 de 30 de março de 1938, a Vila foi elevada à categoria de Cidade.

ASPÉCTO GEOGRÁFICO, POLÍTICO E SOCIOECONÔMICO DO MUNICÍPIO DE MARAÚ - BA.

O Município de Maraú está localizado em uma península, denominada Península de Maraú, zona na qual, foi implantada uma APA - Área de Proteção Ambiental, totalizando um perímetro de 212 km² em uma área de aproximadamente, 21.200 ha (vinte e um mil e duzentos hectares).

O Município é rico em minerais, destacando-se o xisto betuminoso o gêsso e o petróleo. Quanto ao petróleo ainda não foi jorrado, mas se sabe da sua existência, segundo relatórios de geólogos de renome que visitaram o município, como Dr. Luiz Gonzaga de Campos e outros de várias nacionalidades.